HULK: A ERA DOS MONTROS

 


Após a aclamada fase Imortal Hulk, de Al Ewing, e a controversa passagem de Donny Cates com Esmagaonauta e Planeta do Hulk, o Golias Esmeralda retorna sob o comando de Phillip Kennedy Johnson.

Agora, Bruce Banner vaga pelas estradas dos Estados Unidos, lidando com seu eterno conflito interno: carregar um Hulk furioso dentro de si, que a qualquer momento pode tomar o controle de seu corpo. No entanto, uma nova ameaça surge—uma criatura misteriosa que deseja os poderes do Hulk e, para isso, convoca todos os monstros possíveis para deter o gigante esmeralda.

Nessa jornada, Banner tem a companhia de Charlene Tidwell, uma adolescente fugindo de um pai abusivo. A dinâmica entre os dois remete à relação de Joel e Ellie, de The Last of Us: Banner se preocupa com a segurança da garota, mas seu relacionamento com ela é tenso. Já o Hulk, por outro lado, conquista a empatia da jovem, que vê nele um protetor improvável. Mesmo relutante, a criatura aceita a presença da menina ao seu lado.

A trama mergulha o personagem no horror, trazendo desafios como uma horda de zumbis, uma bruxa que habita um lago e diversas ameaças sobrenaturais com influências lovecraftianas, garantindo uma boa dose de tensão e diversão.

É inegável que os fãs foram mal-acostumados com a excelência de Imortal Hulk e criticaram duramente a fase de Donny Cates (que, apesar das ressalvas, teve seus momentos divertidos). Agora, com Johnson no comando, há pouco espaço para reclamações. A abordagem sombria e repleta de mistério se encaixa perfeitamente na proposta que o autor traz para o Hulk, e a possibilidade de encontros com personagens clássicos do horror da Marvel adiciona ainda mais camadas à narrativa.

Algumas dessas interações são mais bem-sucedidas que outras. A participação do Homem-Coisa, por exemplo, ficou abaixo das expectativas, enquanto a nova versão do Motoqueiro Fantasma foi uma das grandes surpresas da segunda edição.

Na arte, Nic Klein se destaca com um traço sujo e rabiscado, transmitindo com maestria o clima de tensão e os sentimentos dos personagens. No entanto, quando Travel Foreman assume os lápis, a qualidade da arte sofre uma queda, ainda que não comprometa o andamento da história.

Por fim, vale destacar o formato escolhido pela Panini para a publicação no Brasil. O encadernado em capa cartão se mostra uma das melhores opções em termos de custo-benefício, tornando a HQ mais acessível sem comprometer a experiência do leitor.

No fim das contas, esta fase do Hulk é uma leitura recomendada para todo tipo de fã de quadrinhos. Sem prometer muito, a história entrega tudo o que se espera: ação, monstros e um Hulk brutal, sem precisar de grandes contextos ou amarras com tramas anteriores. É gibi sendo gibi, sem frescura—uma excelente pedida para os leitores órfãos de boas histórias massa-véio.





 

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