Depois da fase marcante
escrita por Chip Zdarsky, o status de Matt Murdock sofreu uma reviravolta. Após
enfrentar forças demoníacas no Inferno, ele retorna transformado. Agora, Matt é
o Padre Matteo, cuidando de um abrigo para jovens problemáticos.
Nesta nova fase do
Demolidor, algo no inconsciente de Padre Matteo começa a mexer com ele. É como
se uma vida que ele nunca viveu começasse a emergir, criando uma tensão
constante entre sua nova jornada e sua identidade como vigilante.
A história começa com o
arco Ritos Iniciais, e, ao que parece, há uma clara homenagem à fase dos anos
90 do personagem, escrita por Dan Chichester. Quem lembra da trama
"Últimos Ritos", um dos maiores marcos desse período, vai uma
referência direta a esse tempo.
Mas vamos focar no que
acontece neste primeiro volume. Matt agora veste a batina, e dedica sua vida ao
sacerdócio, tentando fazer o bem de outra forma. Ele se torna uma espécie de
Padre Lancellotti da Cozinha do Inferno, ajudando aqueles que mais precisam,
mas sem perder a essência de quem é. Desde as primeiras páginas, fica claro
que, apesar de professar a fé católica, ele respeita outras religiões. Uma cena
que chama a atenção é quando ele incentiva um taxista a parar para rezar o
Maghrib, a oração muçulmana.
No lar onde ele cuida
das crianças, Padre Matteo se mostra uma pessoa querida e atenciosa. Mas claro,
a vida do Demolidor nunca é tranquila. Logo, Matt começa a ser atormentado
por... demônios. Sim, você leu certo, demônios. Depois de uma breve ida ao
Inferno e ser resgatado por Deus, ele retorna à vida, mas parece que o Diabo
não está disposto a deixar Matt em paz tão facilmente. E não para por aí.
Enquanto lida com essas aparições demoníacas, Matt descobre que um velho
inimigo está de volta e tentando retomar o controle do crime na cidade.
A trama começa de forma
interessante, com um mistério envolvendo algumas pessoas próximas de Matt, que,
apesar de não o reconhecerem, estão de alguma forma conectadas ao que está
acontecendo com ele. No entanto, a história dá uma esfriada no meio do caminho,
mas a última edição do volume traz uma reviravolta que esquenta a narrativa
novamente.
Como esperado, todos os
elementos clássicos do Demolidor estão presentes: mistérios, dilemas morais,
fé, religião e inimigos de longa data. Ahmed claramente estudou o personagem e
trouxe uma história fiel à essência do Demolidor. No entanto, a abordagem foi
um pouco tímida, sem grandes ousadias. Embora ele tenha usado muitos elementos
já explorados por outros roteiristas, o que não é necessariamente ruim, poderia
ter sido mais incisivo e arriscado um pouco mais na construção da trama.
Saladin Ahmed, que
nasceu em Detroit, Michigan, em 1975, e tem raízes libanesas, traz sua
perspectiva única como muçulmano e filho de ativistas políticos. Essa bagagem
pode trazer algo novo e interessante para o personagem no futuro.
Apesar de algumas
críticas, o saldo geral foi positivo, e pretendo continuar acompanhando o
título. Espero que Ahmed se sinta mais à vontade para inovar nas próximas
edições e traga algo novo para o Demolidor. Ah, e apesar de querer novidades, a
volta da clássica armadura negra dos anos 90 vai ser pura nostalgia, e eu,
sinceramente, estou ansioso para ver isso acontecer. No fim das contas,
Demolidor sendo Demolidor.
Este encadernado reúne
as edições originais de Daredevil (2023) #1-5, em 144 páginas.